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Quais são os principais transtornos psicológicos que podem causar afastamento do trabalho?

Publicado em 21 de março de 2023


Assim como o bem-estar no ambiente empresarial, o debate sobre o afastamento do trabalho também vem ganhando espaço na rotina corporativa, pois, de certa forma, as duas situações estão interligadas. 

Para se ter uma ideia de como isso é um problema real, as questões psicológicas estão entre as três principais causas dos afastamentos profissionais no Brasil. 

De acordo com dados disponibilizados pela Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, em 2017, 178.268 pessoas se licenciaram do trabalho devido a transtornos mentais e comportamentais.

Quando o assunto é licença médica no Brasil, os transtornos mentais só ficam atrás das Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e outras lesões traumáticas, que são consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doenças ocupacionais. 

Neste cenário, não se deve deixar de falar sobre o bem-estar no ambiente corporativo, assim como as causas psicológicas que podem caracterizar o afastamento do trabalho por parte dos colaboradores.

É extremamente importante os profissionais de Recursos Humanos estarem por dentro do assunto. Por isso, para te ajudar a entender melhor sobre quais são os principais transtornos psicológicos que podem causar o afastamento do trabalho, preparamos este artigo completo. Siga a leitura e confira!

Leia também: https://www.dixiponto.com.br/noticias/quiet-quitting-o-que-e-essa-nova-tendencia-e-como-evita-la-em-sua-empresa/ 

Doenças ocupacionais: o que são?

Antes de começarmos, vale uma breve explicação. Você sabe o que são as doenças ocupacionais?

Já falamos melhor sobre elas em outro artigo em nosso blog, mas não custa refrescar a memória, pois são condições que também caracterizam o afastamento do trabalho. 

Elas são todas aquelas adquiridas ou que surgem em decorrência das atividades exercidas no ambiente ou condição de trabalho. Em resumo, ela é causada pela atividade que o profissional realiza em sua jornada de trabalho.

É importante destacar que as doenças ocupacionais são diferentes das doenças do trabalho. Essa segunda condição não está interligada ao cargo ocupado pelo profissional, mas sim, ao ambiente no qual o trabalho é realizado. 

Porém, vale ressaltar, que ambas as situações garantem ao colaborador todos os direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como por exemplo, o auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, perícia médica e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

É sempre importante deixar essas questões bem pontuadas, pois, mesmo que o funcionário acabe recebendo o afastamento do trabalho, é um dever da empresa garantir que as obrigações trabalhistas sejam cumpridas integralmente. 

Por isso, mesmo nessas situações, não se deve negligenciar o controle da jornada de trabalho. 

Leia também: https://www.dixiponto.com.br/noticias/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-controle-de-jornada/ 

Causas psicológicas que caracterizam o afastamento do trabalho 

Como citamos no início deste texto, as questões psicológicas estão entre as três principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Elas ficaram ainda mais visíveis após o início da pandemia de Covid-19, quando as rotinas trabalhistas precisaram ser alteradas abruptamente. 

São muitas situações que podem caracterizar nessas licenças médicas. Vamos ver quais são elas a seguir:

Depressão 

De longe, a depressão é a causa psicológica que mais afasta trabalhadores no país, além de ser uma das doenças mais frequentes do mundo, segundo a OMS. 

Ela pode surgir em decorrência de vários motivos, mas se tratando da rotina corporativa, ela pode surgir devido a jornadas longas e exaustivas, que causam um nível muito grande de estresse no colaborador. 

Outro motivo muito comum, e que pode levar a um quadro depressivo é a colocação de metas agressivas, e que exijam muito esforço profissional. Quando eventualmente consegue bater essa meta, não há o devido reconhecimento profissional por parte da empresa.

Todos esses fatores levam o colaborador ao seu limite psicológico, o que irá refletir não somente na sua produtividade no trabalho, mas, também, nas demais atividades da sua vida, pois haverá uma perda de vontade e prazer em realizar suas rotinas cotidianas. 

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de Ansiedade Generalizado, também conhecido como TAG, é mais uma causa psicológica que pode caracterizar o afastamento do trabalho. 

Ela é uma condição igualmente prejudicial à saúde do colaborador, pois a impede de realizar até mesmo as atividades mais simples. Quem sofre com a TAG costuma ter uma preocupação excessiva sobre tudo, seja algum problema pessoal ou do trabalho. 

Assim como a depressão, o estresse também pode ser um dos motivos para o surgimento de um quadro de ansiedade. Consequentemente, isso influencia diretamente na realização das tarefas profissionais, pois haverá uma maior dificuldade para a concentração e execução das atividades. 

Consumo de substâncias psicoativas

A dependência de substâncias psicoativas também é reconhecida pela OMS como algo que gera compulsão e tira o discernimento das pessoas. Desse modo, ela é uma situação que pode caracterizar o afastamento do trabalho. 

A rotina corporativa, infelizmente, pode acabar sendo um fator determinante para que os colaboradores façam uso desses psicoativos. Os efeitos dessas substâncias tem condição de serem ainda mais potencializados, caso a pessoa já tenha sofrido com algum caso de ansiedade ou depressão. 

Aqui, vale uma ressalva muito importante: a dependência química não pode ser utilizada como um motivo para demissão. Por isso, caso a empresa se depare com algum caso do tipo entre o seu quadro de funcionários, deve-se afastar o trabalhador das atividades até que ele tenha condição de retornar às suas funções.

Síndrome de Burnout 

Por fim, outra condição psicológica, e que também é uma causa de afastamento do trabalho, é a Síndrome de Burnout. Nós já falamos sobre ela em outro texto aqui no blog.

Desde janeiro de 2022 ela é considerada pela OMS como uma doença ocupacional. Também chamada de Síndrome do Esgotamento, ela é caracterizada pelo esgotamento decorrente da carga excessiva e do ambiente tóxico de trabalho. 

Cobranças excessivas, injustiças no ambiente corporativo, sobrecarga de trabalho, conflitos internos e falta de suporte das lideranças são outros motivos que podem desencadear na Síndrome de Burnout, que tem como consequência, a licença das atividades profissionais.

Leia também: https://www.dixiponto.com.br/noticias/wellbeing-o-que-e-e-qual-a-importancia-dele-para-sua-empresa/ 

Como acontece o afastamento por causas psicológicas? 

Como você observou no tópico anterior, depressão, TAG, dependência química e Síndrome de Burnout são as principais situações que podem caracterizar o afastamento do trabalho. 

É importante que você saiba como agir caso tenha que lidar com algum caso assim em sua empresa. Além das condições citadas acima, qualquer outra enfermidade de origem psicológica pode ocasionar na licença médica, pois ela irá impedir que o profissional exerça suas atividades trabalhistas. 

Isso está previsto no artigo nº 59 da Lei 8.213/1991, conhecida por amparar os Planos de Benefícios da Previdência Social. Para que o profissional seja afastado pelo INSS, é preciso fazer uma perícia médica, que irá verificar se a condição enfrentada pela pessoa tem origem no ambiente de trabalho. 

Caso fique comprovado que a causa psicológica tem relação com o trabalho, a empresa deverá comunicar o INSS e afastar o profissional. Com isso, será possível verificar se a licença será temporária ou definitiva, o que permitirá ao colaborador ter acesso ao auxílio doença ou aposentadoria por invalidez. 

Além disso, é fundamental que a empresa preste todo o suporte necessário ao profissional durante o período em que ele estiver afastado, bem como pague todos os seus direitos trabalhistas corretamente, para não desampará-lo financeiramente.

Leia também: https://www.dixiponto.com.br/noticias/passivos-trabalhistas-o-que-sao-e-quais-os-principais-causadores/ 

Como a empresa deve agir para prevenir essas situações?

Como não poderia deixar de ser, é uma responsabilidade da empresa atuar preventivamente, para evitar que os colaboradores desenvolvam alguma dessas causas psicológicas, que podem ocasionar em afastamento do trabalho.

É um trabalho que requer atenção de todos por parte da empresa, como os gerentes e demais lideranças. Mas, em especial, do setor de RH. É preciso ter esse olhar atento para todos os colaboradores, de forma a identificar qualquer tipo de ação, que possa sinalizar algum transtorno psicológico.

Comportamento agressivo ou vitimista, não ter vontade de conversar e faltas em excesso, são apenas alguns indicativos de que algo não vai bem. 

Como isso é muito comportamental, certas pessoas podem não demonstrar que não estão com a sua saúde mental em dia. Por isso, é essencial estar atento a qualquer tipo de comportamento diferente. 

Desse modo, a gestão de pessoas cumpre um papel fundamental na prevenção dessas situações, de modo que os profissionais se sintam em liberdade para desabafar e conversar quando não estiverem bem. 

A elaboração de uma cultura organizacional também é uma excelente ferramenta para a construção de um ambiente de trabalho agradável e acolhedor para todos os profissionais.

Existem outras medidas que a empresa pode colocar em prática, como:

Outra simples opção para evitar essas causas psicológicas que podem caracterizar o afastamento do trabalho é incentivar as pausas entre as jornadas de trabalho, para que o colaborador tenha pequenos momentos para se desestressar. 

Incentivar que o colaborador tire alguns dias de férias, quando ele tiver direito, também é uma alternativa para deixar a mente mais tranquila e menos psicologicamente abalada.  

Leia também: https://www.dixiponto.com.br/noticias/voce-sabe-o-que-significa-resiliencia-na-gestao-de-pessoas/ 

Conclusão 

Ao longo desta leitura, você pôde entender um pouco melhor sobre quais são as principais causas psicológicas que podem caracterizar o afastamento do trabalho.

O bem-estar no ambiente corporativo deve sempre ser uma prioridade nas empresas, independentemente do seu porte ou segmento. Criar medidas que ajudem o colaborador a manter sua saúde mental é fundamental para que essa rede de apoio seja realmente efetiva. 

Caso o profissional precise ser afastado do trabalho, a instituição precisa arcar com suas obrigações trabalhistas, pois, assim como as doenças ocupacionais, os transtornos psicológicos também estão amparados pela CLT, garantindo ao colaborador, toda a estabilidade enquanto ele estiver afastado. 


A organização poderá sofrer com ações trabalhistas, caso o colaborador se sinta lesado por algum motivo e deseje buscar seus direitos na justiça. Por isso, além de prestar o devido apoio, é fundamental que o setor de RH fique atento a essas questões, que também fazem parte da jornada de trabalho. 

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