Publicado em 17 de janeiro de 2025
O bullying corporativo é uma situação que vem sendo cada vez mais debatida nas rodas de conversas entre os gestores e líderes de RH, sobretudo, pelos efeitos nocivos que ele traz aos colaboradores.
Embora o bullying seja associado a um problema identificado na infância e na escola, ele está longe de passar imune às pessoas adultas. Muito pelo contrário, essa situação vem se tornando cada vez mais presente no ramo corporativo.
De acordo com uma pesquisa realizada em 2015 pela plataforma de recrutamento VAGAS, 52% dos profissionais de todas as regiões do Brasil disseram ter sido vítimas de bullying no trabalho.
Em relação aos profissionais que relataram não ter sofrido com esse tipo de agressão, 34% deles disseram ter presenciado algum colega de trabalho ter sofrido com esses episódios.
Mesmo que os debates sobre uma gestão de pessoas mais efetiva, e um ambiente de trabalho mais seguro, estejam cada vez mais em pauta, o cenário ainda não mostra uma melhora neste panorama.
Esse tema fica ainda mais em evidência por conta do Janeiro Branco, uma campanha nacional de conscientização sobre a saúde mental, iniciada em 2014 no Brasil, e dedicada à promoção da saúde mental e emocional, com o objetivo de sensibilizar a população para a importância do bem-estar psicológico.
Portanto, é essencial que as empresas estejam ligadas nessas questões, afinal, o bullying corporativo prejudica não apenas os colaboradores, mas também, as empresas, que podem vir a perder seus melhores talentos por conta dessa prática, que vale ressaltar, pode culminar em passivos trabalhistas.
Por isso, se você é gestor de RH, e deseja entender melhor essa situação, e o que pode fazer para combatê-la no ambiente de trabalho, este artigo é para você.
Siga a leitura conosco e descubra como prevenir este tipo de comportamento em sua empresa!
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Primeiramente, antes de compreendermos quais são as boas práticas para acabar com esse problema, é importante que você entenda o que é o bullying corporativo.
Traduzindo para o português, essa conduta significa “intimidação”, e refere-se a um padrão repetido de comportamentos abusivos, hostis ou humilhantes de uma pessoa ou grupo, contra um colega de trabalho.
De modo geral, esses comportamentos podem incluir atitudes como críticas excessivas, zombarias, xingamentos, isolamento social, manipulação, difamação ou pressão psicológica.
O objetivo dessas condutas é intimidar, diminuir, ou prejudicar a vítima em sua trajetória profissional dentro da empresa.
Na prática, o bullying corporativo não é muito diferente do bullying que acontece no ambiente escolar, quando uma pessoa ou grupo, humilha, ou prejudica uma pessoa de maneira psicológica, emocional ou física.
Ambos os contextos deixam a vítima vulnerável e indefesa, sem condições de tomar uma atitude e reagir.
Essa conduta pode acontecer por vários motivos, que vão desde a orientação sexual do colaborador, sua raça, religião, condição social, ou até mesmo, o cargo que o profissional ocupa.
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Conforme citamos anteriormente, ainda existe o senso comum de que o bullying ocorre apenas no ambiente infantil e escolar.
Todavia, esse triste comportamento ocorre nas mais diversas esferas, e não é diferente no ramo corporativo.
Neste sentido, essa conduta é caracterizada quando ocorre intimidação contínua. Em outras palavras, o bullying corporativo acontece quando uma pessoa, ou grupo, realiza seguidos episódios de fofocas, piadas, isolamento, ou ameaças a um colaborador.
Também conhecida como Programa de Combate à Intimidação Sistemática, a Lei nº 13.185/2015, estabelece que essa prática pode ser classificada em oito tipos. São eles:
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Quando falamos sobre bullying corporativo, é comum algumas pessoas pensarem que essa conduta se caracteriza como assédio moral.
Embora tenham algumas similaridades, as situações possuem diferenças significativas entre si.
Na prática, é fácil de entender como isso ocorre. Enquanto o bullying é uma agressão declarada, realizada sem pudor e descaradamente, o assédio moral é praticado por alguém que tenha poder em relação à vítima.
Além disso, essa situação pode ocorrer de maneira discreta, o que acaba dificultando a sua comprovação.
O Ministério Público Federal (MPF), elaborou uma cartilha sobre o assunto. O documento define o assédio moral como sendo situações humilhantes e constrangedoras, que ocorrem de forma repetitiva e prolongada, no exercício de suas funções.
Neste caso, ofensas ao trabalho ou vida pessoal, gritos e ameaças, são caracterizadas como formas de assédio moral.
Na maioria das vezes, essa situação é praticada por gestores ou superiores, que utilizam sua posição hierárquica dentro da empresa para isolar, ridicularizar, e humilhar um ou mais colaboradores.
Entretanto, o assédio moral também pode ocorrer de outras maneiras. É o caso do assédio horizontal, praticado entre colegas do mesmo nível hierárquico; do misto, que ocorre simultaneamente entre gestor e colegas; e do ascendente, quando um ou mais colaboradores se unem para prejudicar seu gestor ou superior.
Apenas a título de curiosidade, um levantamento realizado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), indica que até novembro de 2024, foram registrados 32.492 processos trabalhistas sobre indenização por danos morais,que ocupa a 9º posição no ranking das maiores causas de disputas trabalhistas na justiça brasileira.
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Agora que você já entendeu quais são as diferenças entre assédio moral e bullying corporativo, fica mais fácil de compreender quais condutas não se enquadram em nenhuma dessas situações.
Para isso, é importante ressaltar, que o bullying ocorre quando o agressor busca causar dor ou sofrimento à vítima, de forma repetida e contínua.
Isso significa, que um fato isolado não se caracteriza nesta conduta, embora o teor da situação possa desencadear reclamações ou ações judiciais contra a empresa.
Além disso, existem outros episódios em que ocorrem embates entre gestores e colaboradores, ou, até mesmo, entre colegas de equipe ou do mesmo nível hierárquico. Todavia, se não houver agressões, eles não se configuram como bullying.
Neste sentido, discussões para definir as responsabilidades dentro do ambiente profissional, ou para cobrar o cumprimento do compliance da empresa, não são consideradas como bullying corporativo.
Ademais, críticas, correções, e feedbacks construtivos, também não se enquadram nessas situações.
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Assim como ocorre com outras situações negativas que compõem a jornada de trabalho, o bullying corporativo traz diversas consequências negativas à empresa.
Como essas ameaças costumam ser, na maioria das vezes, invisível para grande parte dos colaboradores, existe a predisposição de que as intimidações ocorram por um longo período de tempo.
Isso ocorre, pois dificilmente, a vítima consegue demonstrar forças para reagir e denunciar as agressões sofridas. Na maioria dos casos, a vítima não consegue sequer desabafar e conversar com um colega de trabalho sobre a situação sofrida.
Por conta disso, quando os gestores de RH, ou os diretores da empresas ficam sabendo do ocorrido, pode ser tarde demais, afinal, a credibilidade organizacional já pode ter sido prejudicada.
Entre as principais consequências desta situação, podemos destacar:
A diminuição da produtividade é uma das maiores consequências que o bullying corporativo traz à empresa.
Afinal, o estresse constante e a ansiedade provocados por atitudes agressivas ou humilhantes no ambiente de trabalho, dificultam a concentração e o foco nas tarefas diárias por parte do colaborador que é vítima dessas agressões.
Como um efeito dominó, essa situação também tem consequências a longo prazo, pois com o tempo, isso pode resultar em atrasos, absenteísmos, falhas na execução de projetos e, até mesmo, aumento de erros operacionais. Todos esses fatores são reflexo da produtividade tóxica.
O ambiente hostil causado pelo bullying corporativo, também pode levar à rotatividade entre os colaboradores.
Afinal, profissionais que se sentem desrespeitados ou constantemente atacados em suas funções, tendem a procurar novos lugares para trabalhar.
Apenas a título de curiosidade, o Brasil lidera o índice de turnover em todo o mundo, com 56%, segundo um estudo realizado pela consultoria Robert Half.
Essa rotatividade supera, por muito, o percentual de países como o Reino Unido (43%), França (51%) e Bélgica (45%). Além de liderar o índice de turnover, o Brasil também se destaca negativamente pelo índice de desligamentos voluntários, que representam quase metade dos desligamentos.
Além de ser prejudicial à credibilidade da empresa, o aumento de turnover também acarreta altos custos para a empresa com recrutamento, seleção e treinamento de novos colaboradores.
Quando o bullying corporativo é tolerado, ele contribui para a criação de uma cultura organizacional tóxica.
Isso impacta diretamente o clima de trabalho e a satisfação dos colaboradores.
Além disso, a falta de respeito e de empatia, aliada a ausência de uma cultura organizacional eficiente, também podem prejudicar a colaboração e a motivação dentro da equipe, trazendo consequências ainda mais negativas ao clima organizacional.
Além dos efeitos psicológicos, o bullying corporativo também pode levar a doenças físicas, como distúrbios do sono, pressão alta e até doenças relacionadas ao estresse crônico, como a Síndrome de Burnout.
Afinal, profissionais com problemas de saúde mental, frequentemente têm menos disposição para trabalhar, o que se reflete na queda de desempenho e no aumento de faltas no trabalho.
Ademais, se o bullying corporativo não for tratado adequadamente, ele também pode prejudicar a imagem e reputação da empresa perante seus stakeholders, como clientes, parceiros, e até mesmo, potenciais investidores.
Com o desenvolvimento cada vez maior da tecnologia, e com a disseminação de informações nas redes sociais, casos de assédio e bullying, podem facilmente se tornar públicos.
Não precisa nem dizer como isso acaba afetando a reputação da empresa, e comprometendo sua imagem no mercado.
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Embora não tenham um perfil definido, os praticantes do bullying corporativo costumam ter como alvo jovens e mulheres.
Um estudo realizado pela Nube, indicou que 49,52% dos jovens entrevistados indicaram ter sofrido bullying no ambiente de trabalho. Na maioria dos casos, as agressões foram cometidas por seus próprios pares.
Além disso, outros estudos reiteram que mulheres são as vítimas mais comuns, embora elas também estejam entre as que mais praticam esses atos.
Apesar desses fatos, o bullying corporativo pode se manifestar de diversas formas, sendo muitas vezes sutil, o que torna sua identificação mais difícil.
Todavia, alguns sinais podem indicar que o ambiente de trabalho está sendo prejudicado por esse comportamento. São eles:
Ataques verbais, piadas depreciativas, críticas constantes, exposição de falhas de forma excessiva e humilhação pública, são claras formas de bullying corporativo.
Isso pode ocorrer por meio de reuniões, através de e-mails, mensagens nas redes sociais, bilhetes espalhados pela empresa, ou, até mesmo, durante interações cotidianas na jornada de trabalho.
Colaboradores que são constantemente excluídos de reuniões, decisões importantes, ou almoços e confraternizações da equipe, podem estar sendo alvo de bullying corporativo.
Além de ser um grande exemplo de falta de empatia e educação, essa exclusão pode afetar a autoestima do colaborador e o seu sentimento de pertencimento à organização.
Embora um volume de trabalho excessivo seja comum em muitas empresas, especialmente em determinados períodos do ano, como na Black Friday, quando um colaborador é sobrecarregado de forma sistemática e injustificada, isso é um sinal que merece atenção.
Afinal, tarefas que não correspondem ao seu cargo, ou com prazos e metas irreais, pode ser uma estratégia de bullying corporativo para humilhar ou desgastar fisicamente ou psicologicamente, a pessoa.
Em um ambiente de trabalho saudável, as críticas são feitas de forma construtiva, visando o desenvolvimento profissional.
Entretanto, quando as críticas são destrutivas, repetitivas, e focadas em atacar a pessoa, ao invés de corrigir um erro profissional, isso significa que a empresa pode estar diante de um caso de bullying corporativo.
Por fim, profissionais que começam a apresentar sinais de estresse, ansiedade ou depressão, com queixas físicas como dores de cabeça, cansaço extremo ou problemas de sono, podem estar passando por um ambiente de trabalho tóxico, onde o bullying corporativo é uma das principais causas.
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Se você já acompanha os conteúdos que produzimos aqui no blog da Dixi Soluções, sabe bem como nós falamos sobre o protagonismo assumido pelo RH nos últimos anos.
Apoiados no RH 4.0, esses profissionais passaram a ter um papel muito mais estratégico, elaborando ações e estratégias que tenham como foco principal, uma gestão de pessoas mais eficiente.
Neste sentido, o RH também tem um compromisso fundamental nas ações que visam a prevenção e o combate ao bullying corporativo.
Sendo assim, o setor de RH precisa ser proativo na criação de políticas de respeito e inclusão, assegurando que todos os colaboradores se sintam seguros e valorizados.
Abaixo, listamos algumas boas práticas que o setor de RH pode tomar, para garantir que essa missão seja cumprida com eficiência. Veja:
Antes de mais nada, tudo começa pela conscientização.
Logo, é importante que o RH tome à frente da ação, e ajuda a criar políticas formais, que ajudem a definir com clareza o que caracteriza o bullying corporativo, e quais são as possíveis consequências para quem praticá-lo.
Além disso, essas políticas devem ser amplamente divulgadas e compreendidas por todos os colaboradores.
O RH também pode promover treinamentos sobre comportamentos éticos, respeito no ambiente de trabalho, e como identificar sinais de bullying corporativo.
Ademais, é importante educar os demais gestores e líderes sobre como lidar com esses casos de forma justa e eficaz.
Outra boa prática que o RH pode adotar, é oferecer canais de denúncia seguros e confidenciais.
Assim, os colaboradores poderão relatar casos de bullying sem medo de sofrer retaliação. Além disso, é importante que esse canal seja acessível e confiável, para garantir que todas as denúncias sejam investigadas adequadamente.
Além do mais, em muitos desses casos, as vítimas de bullying podem precisar de apoio psicológico, para conseguir lidar com os efeitos emocionais causados por essas agressões, e consequentemente, recuperar sua confiança.
Mas, isso não se aplica apenas às vítimas. Esse acompanhamento também deve ser estendido aos agressores, que podem ser encaminhados pelo RH para programas de aperfeiçoamento e desenvolvimento pessoal.
Assim, eles conseguirão compreender o impacto real das suas atitudes, e poderão buscar mudanças comportamentais.
Como você observou ao longo da leitura, o bullying corporativo é uma situação muito ruim, e que traz diversas consequências negativas.
Portanto, as empresas têm a responsabilidade de garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável para seus colaboradores.
Além disso, quando casos de bullying corporativo são identificados, a empresa deve tomar medidas imediatas, para interromper o ciclo de abuso, e restaurar a harmonia no ambiente organizacional.
A seguir, listamos algumas boas práticas para sua empresa colocar em ação. Confira:
Quando um caso de bullying corporativo é relatado, a empresa deve investigar de forma imparcial e minuciosa, ouvindo todas as partes envolvidas, inclusive testemunhas, e reunindo evidências antes de tomar qualquer ação.
Isso é necessário, pois as investigações devem ser conduzidas de maneira confidencial, para proteger tanto a vítima quanto o acusado.
Após a investigação, a empresa deve tomar medidas disciplinares adequadas, que podem variar de advertências e reorientação até demissões por justa causa, dependendo da gravidade do caso.
A punição deve ser proporcional ao comportamento, e sempre buscar a mudança de postura do agressor.
Por fim, além de investigar e corrigir o comportamento do agressor, a empresa deve apoiar a vítima, oferecendo-lhe apoio emocional, psicológico e até mesmo, a possibilidade de realocar a pessoa para outro setor, caso ela deseje.
Logo, garantir que a vítima se sinta acolhida e protegida, é fundamental para a recuperação e bem-estar do colaborador.
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Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, você conseguiu compreender melhor todas as características que compõem o bullying corporativo.
Essa situação é um problema sério e extremamente prejudicial, que pode afetar tanto as vítimas quanto as empresas.
Portanto, reconhecer os sinais desse problema, e adotar medidas eficazes de prevenção e combate, é fundamental para garantir um ambiente de trabalho saudável, produtivo e respeitoso.
O RH tem um papel crucial nesse processo, assim como as lideranças da empresa, que devem garantir que a cultura organizacional seja realmente inclusiva, e que atitudes de bullying corporativo sejam tratadas de forma rigorosa.
Somente com a conscientização e ação conjunta, será possível eliminar essa situação, e criar um espaço de trabalho mais harmonioso e justo para todos.
A gestão de pessoas é sempre uma questão que merece atenção por parte dos gestores de RH.
Neste sentido, contar com ferramentas e sistemas que ajudem a tornar esse processo mais eficiente, é crucial para o fortalecimento do ambiente de trabalho.
Portanto, caso você esteja buscando desenvolver seus processos organizacionais, a Dixi Soluções pode ser a parceira ideal ao seu negócio!
Nós somos especialistas em soluções para controle de ponto e gestão de pessoas. Graças à nossa expertise tecnológica, nós conseguimos ajudar milhares de empresas brasileiras a fazerem um controle da jornada de trabalho mais seguro e efetivo.
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